As mais sinistras de fevereiro

Salve salve discólatras de todo Brasil, da internet e do mundo! Aqui quem fala é mais uma vez Vitor Silveira.

Sem mais delongas, vamos aos lançamentos mais sinistros de fevereiro!! (logo menos essa coluna vira uma coluna semanal)

Against All Logic – 2017 – 2019
Vocês tão ligados em Nicolas Jaar? Ele é o cara por trás do Against All Logic. Talvez eu ainda não tenha te convencido a escutar o disco, então que tal se a primeira música é um recorte MUI DOIDO da voz da Beyoncé? Que lá pro meio tem uma faixa absurda com a mais que genial Lydia Lunch? Recomendadíssimo pra quem curte música eletrônica esquisita.


Arnaldo Antunes – O Real Resiste
Intimista, inquieto, delicado e visceral são só quatro dos adjetivos que eu posso dar a esse disco. Em entrevista ao Nexo, um dos melhores portais de notícias na ativa, ele diz: “eu acho obrigatório, não só os artistas, mas os cidadãos se posicionarem nesse momento” https://youtu.be/gR30Nl9vzG0 . Impossível passar impassível a esse disco!


Best Coast – Aways Tomorrow
Cinco anos depois do ~apenas ok~ California Nights (2015) o Best Coast volta com esse ótimo disco! As influências de sempre continuam lá, rock oitentista, psicodelia bem ensolarada, alguma coisa do pop punk dos anos 90 tudo batido no liquidificador com riffs pegajosos e letras confessionais. Vale o play despretensioso, vai que o disco te pega?


black midi – Sweater
Curto MUITO essa banda, mas faixa enorme experimental nada com nada não faz mais minha cabeça não, esse single entrou em homenagem ao Vitor de 5 anos atrás que acharia isso o máximo.


Bloodwitch – I Am Not Ok With This (Music from the Netflix Original Series)
Bloodwitch é uma banda que não existe, foi criada especificamente para essa série maravilhosada Netflix! A série é curtinha, 7 episódios de mais ou menos uns 20 minutos, e fala sobre os problemas adolescentes de uma menina que descobre que tem um super poder de destruir tudo em volta. As músicastocam durante todos os episódios, o som é perfeito pra quem gosta de Jesus and Mary Chain e afins. Ah! As letras são do Graham Cox, do Blur!


Câimbra – A Memória é Agora
Sludge metal nacional da melhor qualidade, altamente recomendado pra quem curte Melvins. O disco foi gravado pelo Bernardo Pacheco (da lendária banda Are You God?), que vem produzindo muita coisa boa por aí, fiquem de olho nesse nome. Ah, lançamento da Sinewave, um dos selos favoritos da casa!


David Lynch – The Flame of Love
QUEM É JACK CRUZ E O QUE ELE FEZ? Duas músicas maravilhosas, do curta maravilhoso, que esse ser humano maravilhoso que é o David Lynch nos agraciou de surpresa no dia 20 de janeiro. O compacto saiu em vinil pela Sacred Bones, assim como os últimos discos dele.


Gil Scott-Heron – We’re New Again A Reimagining By Makaya Mccraven
Finalmente saiu a reinterpretação de um dos discos que eu mais curto do Gil Scott-Heron! Makaya Mccraven não deixou a desejar, bem jazz, experimental onde tem que ser, uns temas eletrônicos misturado no meio disso tudo. Um dos melhores do mês! Ah, e saiu também uma versão de 10 anos do disco original. De inédito mesmo tem duas músicas, um cover do Richie Havens (Handsome Johnny) e uma faixa inédita do mestre Gil Scott (King Henry IV), o resto do disco são músicas da sessão de gravação do próprio “I’m New Here”, que saíram num raro LP duplo em 2010.


Guided By Voices – Surrender Your Poppy Field
Um disco do GBV é sempre um disco do GBV, não dá pra esperar muita coisa além de músicas curtas, em andamento rápido com a guitarra lá na frente. E esse não é diferente, são 15 faixas em quase 40 minutos. Ah! Esse é o 30º disco de estúdio, só ano passado eles lançaram 3 discos, então dá pra esperar som novo ainda esse ano!


Isobel Campbell – There Is No Other…
Esse é um daqueles discos que tu coloca pra escutar e o tempo passa rapidinho. Ele vai da psicodelia ao coro gospel, passando por uma versão de Runnin’ Down a Dream, do Tom Petty. Ah! A versão deluxe vem com o disco (quase) completo em versões acústicas. Isobel Campbell é ex-Belle and Sebastian e esse é o primeiro disco solo dela em 14 anos. Desde o Milkwhite Sheets (2006) ela lançou três outros discos maravilhosos com o Mark Lanegan: Ballad of the Broken Seas (2006), Sunday at Devil Dirt (2008) e Hawk (2010). Vale o play em tudo isso!


Ivan Conti – Katmandu
Mamão, nós do Disconversa amamos você! Katmandu é um groove PESADO, que foi gravado e mixado nas mesmas sessões do Poison Fruit (um dos melhores discos de 2019). O single sai em vinil pela Far Out no dia 27/03 com mais 3 remixes diferentes!


Jeremy Cunningham – The Weather Up There
A música é difícil de descrever, se eu trabalhasse numa loja de discos poderia colocar na sessão de jazz experimental ou de música alternativa. No site o cara se descreve como “baterista, compositor e improvisador”. O disco foca na vida do irmão mais novo dele, que morreu num assalto em 2008, nas músicas ele “confronta a tragédia da violência e examina o efeito cascata agudo na vida de várias pessoas através das lentes da memória, reação e colagem”, durante o disco surgem samples de amigos e familiares falando sobre a experiência de perda.


Jozef Van Wissem – Ex Mortis
Não sei se vocês já escutaram o som de um alaúde. Alaúde é um instrumento de cordas dedilhadas de origem árabe. Jozef Van Wissem é um compositor holandês que toca alaúde, pra ter uma ideia já assisti um show dele numa casa tradicional de rock aqui do RJ, a Audio Rebel, então já dá pra imaginar que o cara leva o instrumento a outros lugares que não o convencional. Esse novo disco conta com a participação de Jarboe (conhecida pelo Swans), Thor ( também Swans) e Nikolaj Komiagin (do Shortparis).


Khruangbin & Leon Bridges – Texas Sun
Bom, muito bom! Khruangbin é uma das bandas recentes que eu mais escuto. Quem ainda não conhece basta falar que é aquele groove jazz funky 70’s com umas pitadas de psicodelia. A banda é instrumental, nesse EP eles vem com o Leon Bridges cantando, vale a pena demais!


Lee Ranaldo, Raül Refree – Names of North End Women
Me arrisco a dizer publicamente que uma das melhores coisas pro Lee Ranaldo pode ter sido o fim do Sonic Youth. Não que ele não tivesse lançado trabalhos com o SY ainda na ativa, mas desde o Between the Times and the Tides (2012) foram seis discos incríveis. Dessa vez ele vem com uma parceria com o Raül Refree, nome menos conhecido, mas que produziu o disco anterior do Lee Ranaldo, Electric Trim (2017). Nesse disco as músicas foram compostas usando marimba, vibrafone e samples. Altamente experimental e melodioso ao mesmo tempo!


Lílian Bonard – Vale Day
Produção absurda, letra impecável. Se o país não estivesse 56 anos atrasado no tempo esse single seria hit do carnaval fácil! Nas palavras da própria Lílian: “Trago VALE DAY como um manifesto divertido, cheio de suingue para fazer a galera pensar duas vezes antes de interpelar uma mãe no meio de qualquer rolê. Podem ter certeza que se estamos ali é porque nossas crias estão muito bem cuidadas! Não cortem nosso barato! Recado dado?”. Lançamento da Mondé, um dos selos favoritos do Disconversa!


Nada Surf – Never Not Together
Depois de nove discos lançados o Nada Surf continua impecável, vinte anos de banda e eles continuam com a mesma qualidade de quando começaram. Daqueles discos que aquecem o coração e fazem o dia melhorar. Sempre necessário.


Napalm Death – Logic Ravaged by Brute Force
Napalm Death, né. Difícil não curtir as coisas deles. Detalhe: o lado B desse single é uma versão do Sonic Youth!!!!


Os Vulcânicos – Deus Monstro
Terceiro trabalho do quarteto carioca, antes desse EP vieram Os Vulcânicos (2010) e El Truco (2013). O único defeito desse play é ser curto demais, riffs monstruosos, gravação e mixagem animais, capa doideira do grande Alexandre Cruz Sesper (das bandas Garage Fuzz e Acruz Sesper). Lançamento da Abraxas, mais um dos selos favoritos da casa. Larga o play aí!


Sightless Pit – Grave of a Dog
Já tinha falado sobre essa banda no post de janeiro. Sightless Pit é a mistura da Kristin Hayter (Lingua Ignota), com Lee Buford (The Body) e Dylan Walker (Full of Hell), se tu não conhece nenhuma dessas bandas ainda pode ir atrás sem medo, metal alternativo da melhor espécie! Difícil descrever esse disco, a sensação das músicas é de claustrofobia e desolação, ao mesmo tempo pesadas e experimentais.


Soccer Mommy – color theory
color theory, assim em caixa baixa mesmo, é o segundo disco da Soccer Mommy. Altamente recomendado pra quem gosta de Angel Olsen, Sharon Van Etten e toda essa nova geração de cantoras compositoras. O disco é formado por três blocos de canções: azul, representando tristeza e depressão; amarelo, simbolizando doenças físicas e emocionais; e, finalmente, cinza, representando escuridão, vazio e perda.


Vovô Bebê – Briga de Família
Produtor, instrumentista e compositor, Vovô Bebê é Pedro Carneiro, que já trabalhou como produtor do Chico das Neves, lançou disco com a banda Dos Cafundós, e agora lança o terceiro disco como Vovô Bebê. Em Briga de Família o Vovô escalou altas galeras pra tocar junto, como o espaço aqui é curto destaco a Ana Frango Elétrico (se você não conhece vá atrás!) e Gabriel Ventura (Ventre, Xóõ, Duda Brack, entre outros). Arrisco a dizer que o disco é algo que o Mutantes poderia estar fazendo se a Rita e o Arnaldo ainda estivessem na banda. Solta o play aí!


Wasted Shirt – All is Lost
TY Segall junto com o Brian Chippendale, do Lightning Bolt. Porradaria noise, guitarra aos montes, quase um Black Flag encontra Sonic Youth. Entra no mosh e dá o play!


Wrekmeister Harmonies – We Love to Look at the Carnage
Esse é o tipo de banda que te prova que pra música ser pesada não precisa nem de distorção e nem de gritaria, apesar da distorção aparecer de vez em quando. O disco foi composto e gravado numa cabana no meio da floresta, nos arredores de Woodstock, são 5 músicas que podem levar aos mais diversos sentimentos em pouco mais de 40 minutos. Discão!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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