Os discos da semana #03 (14/03 a 20/03)

Dalhe galera! Vitor Silveira aqui na quarentena. Vocês também, né? Lavem as mãos e fiquem seguros, essa semana eu chego com dezesseis lançamentos pra afastar o tédio de quem já não aguenta mais não colocar o pé na rua!


Adrian Younge + Ali Shaheed Muhammad – Jazz is Dead 001
Adrian Younge é um experiente produtor, que já trabalhou com nomes como Ghostface Killah, Kendrick Lamar e CeeLo Green. Ali Shaheed Muhammad é membro da Tribe Called Quest, uma das bandas favoritas da casa. Precisa falar como o disco é bruto e brabo? Precisa sim. O disco é uma tentativa de criar faixas novas que empregam o mesmo equipamento de gravação vintage original que o elenco do grupo usava nos anos 60 e anos 70, cada faixa com um convidado, como Marcos Valle, João Donato e Azymuth!


ÀIYÉ – Gratitrevas
Primeiro lançamento solo da Larissa Conforto, baterista que já tocou na Xóõ e na Ventre! Gratitrevas sai pela Balaclava Records e é o grande salto de baterista para compositora e cantora (além de continuar na bateria e programações). O disco ainda conta com participações de Vitor Brauer (Lupe de Lupe, Xóõ, Desgraça) e Cícero.


Ave Máquina – Ave Máquina no Release Showlivre (Ao Vivo)
Ave Máquina é uma banda sem amarras estéticas e conceituais, inspirada na liberdade dos tropicalistas e compositores de vanguarda dos anos 60 e 70. A banda já apareceu aqui no Disconversa comentando 5 discos que influenciaram o som deles, relembre nesse link. Nesse play atual a banda faz uma apresentação expetacular no Release Showlivre em 27/01/2020, o vídeo pode ser assistido clicando aqui!


dossel – Ijexá de Fevereiro (Àbasé remix) (single)
Remix da música Ijexá de Fevereiro, do maravilho disco Ouvindo Vozes (2019) do dossel, leia aqui a primeira vez que o cara passou pelo Disconversa. Nesse remix, nas mãos do húngaro Àbáse, a música ganha uma nova roupagem, deixando a música ainda mais hipnótica!


Drowned Men – BATS
Debut do Drowned Men, galera de Belo Horizonte, lançado pela Howlin’ Records! O disco é um prato cheio pra quem curte pós-punk, assim como a própria banda define em seu release: “clássicas e pesadas linhas de baixo, indispensáveis ao gênero, aos riffs dançantes e bateria, ora minimalista e marcada, ora imprevisível e acelerada – uma clara influência do post-punk revival de Interpol e The Twilight Sad”.


Duda Brack – Pedalada (single)
Primeiro single do novo álbum da Duda Brack, o seu segundo disco solo gravado com participações de peso, como Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Ney Matogrosso! A música é resultado da parceria da Duda com Chico Chico. Que venha logo o disco!


Estranhos Românticos – Samsara (single)
Estranhos Românticos é uma daquelas bandas favoritas da casa! Aquela mistura de pós-punk, new wave e groove que agradam em cheio nossos ouvidos ou, como a banda mesmo define, indie tropical. Samsara é o primeiro single do novo disco (Só), que será lançado em abril de 2020, e conta com a participação do guitarrista argentino Dom Horácio. Assista ao clipe letrado nesse link!


Irreversible Entanglements – Who Sent You?
A banda é um quarteto de free-jazz (sax, trompete, baixo e percussão) com uma vocalista no melhor estilo spoken word. Conhecem a Moor Mother? Não? Ela é a vocalista, e vale muito a pena pesquisar um pouco mais sobre ela. Who sent you? é o segundo disco da banda, barulho fundamental pros tempos atuais!


Ivan Conti & grassmass – Mexe (single)
Single novo do Ivan Conti, baterista do Azymuth! Faixa instrumental com aquele funk grooveado já característico do Mamão. Porrada pra ouvir dançando em tempos de quarentena.


Makhnário – Na Ponta Do Fuzil [DEMO] (single)
Com a palavra, a banda: “Makhnário é uma banda Oi! antifascista da cidade de Niterói. A banda é composta por membros de outras bandas já conhecidas da cidade (Onda Errada HC, Nauzia e Seu Madruga Veste Preto). Nossas letras versam sobre a organização da classe trabalhadora e as opressões por ela sofridas, sobre a luta dos punks e skins antifascistas e sobre o preconceito e o sectarismo dentro do underground.
A primeira demotape a ser lançada foi 100% gravada em casa e se chama “Na Ponta do Fuzil”. Por questões de qualidade de gravação, a música estará disponível apenas no YouTube e Bandcamp, postaremos assim que possível.
O MAKHNÁRIO conta com o imprescindível apoio da Comando Antifascista – UAW16Distro, do Coletivo Guerrilha e da SHARP Brasil”.


Moaning – Uneasy Laughter
O que acontece quando um trio de noise troca as guitarras por sintetizadores, aumenta as batidas e se inclina para as ansiedades cotidianas de simplesmente ser um ser humano em funcionamento no século 21? É mais ou menos assim que começa o release para a imprensa desse segundo disco do Moaning. O resultado é simplesmente maravilhoso, algo tipo um Interpol mais barulhento. Enquanto escutava o disco fiquei imaginando que esse é o tipo de show que eu adoro assistir no Circo Voador, que a quarentena passe logo e MOANING PLEASE COME TO BRASIL RIO DE JANEIRO!


Moondog – Improvisations at a Jazz Concert (compacto)
Moondog é o pseudônimo de Louis Thomas Hardin, falecido em 1999), compositor, músico, cosmologista e poeta. Retirou-se da sociedade por opção própria para morar nas ruas de Nova York. Além do aparente retiro, se recusou a vestir nada mais além das roupas artesanalmente feitas por ele, todas baseadas na sua própria interpretação do deus nórdico Odin. Foi por muito tempo conhecido como “O Viking da 6ª Avenida”. Improvisations at a Jazz Concert é um compacto, originalmente lançado em 1953, e agora disponível nos streamings!


onirica – artes marciais (single)
“Pode ser somente um sonho”, essas são as palavras que logo chamam atenção lendo os créditos do single de estréia da onirica, banda novíssima do Rio de Janeiro. A música tem a medida certa pra quem curte um bom bubblegum com jaqueta de couro. Acompanhem a banda!


Rogério Skylab – À Sombra de um Horizonte (single)
Com a palavra, Skylab: ” Ao lançar esse single, que vai fazer parte do meu próximo disco, ainda em construção, eu já indico algumas características desse futuro trabalho, que vai girar em torno de três instrumentos: piano, baixo acústico e bateria. Também é uma forma de prestar homenagem aos trios, que formaram a base da nossa instrumentação na década de 60, gerando discos tão importantes como Dois na Bossa, pra não mencionar Luizinho Eça, Zimbo Trio, Milton Banana, Azimuth e tantos outros. Minha próxima trilogia, a “Trilogia do Cosmos”, está sendo construída dentro desse contexto. Pra essa nova empreitada estou trazendo comigo o pianista Leandro Braga. Aí vai uma amostra desse novo trabalho: À Sombra de um Horizonte.”


Rustin Man – Clockdust
Rustin Man é Paul Webb, ex baixista da banda Talk Talk. Algumas pessoas vão lembrar do Out of Season (2002), disco que ele gravou com a Beth Gibbons, do Portishead. Nas palavras de Paul Webb o álbum é “impregnado de nostalgia em tons de sépia, uma poderosa força da natureza”, adiciono que mesmo nostálgico o disco não soa melancólico e é um prato cheio pros fãs da última fase do Bowie!


Tony Allen e Hugh Masekela – Rejoice
Esse é simplesmente um disco de uma sessão perdida do maior baterista e do maior trompetista de afrobeat de todos os tempos, imperdível na falta de palavra melhor. Pra quem não tá ligado, Tony Allen é só o lendário baterista da banda Afrika ’70, do tão lendário quanto Fela Kuti; Hugh Masakela é um dos maiores trompetistas de todos os tempos, o som que o cara tira é indescritível em palavras. Corre logo pra ouvir esse disco!


Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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