Os discos da semana #06 (04/04 a 10/04)

Salve discólatras! Vitor Silveira por aqui, chegando com mais um monte de lançamento fresquinho pra animar essa quarentena.

Então é aquilo de sempre, fique em casa e aproveite a seleção musical!

alva noto – A Forest (single)

“Eu tinha 15 anos quando a música foi lançada”, diz Nicolai, mais conhecido como alva noto. “Na época, meu desejo por boa música começou a crescer e, é claro, eu procurava sons que refletissem o tempo e a idade em que vivi. ‘A Forest’ agora é um clássico e não consigo pensar em outro música que poderia ser mais representativa da banda do que este single – 40 anos após seu lançamento, eu ainda me curvo e me sinto grata por ela existir “. Ah, a versão foi aproada pelo Robert Smith em pessoa!


André Frateschi – Deus, Dólar e Óleo (single)

André Frateschi é um ator e músico, que leva ao palco a experiência como ator, misturando música à dramaturgia e seus avessos. Já tive a oportunidade de ver o cara ao vivo, junto com a Miranda Kassin, alguns anos atrás no projeto maravilhoso Hits do Underground. Nesse novo single ele volta com mais raiva, gritando contra aquele que se diz homem de bem!


Angel Olsen – All Mirrors (Johnny Jewel remix)

Johnny Jewel é uma das pessoas por trás do Chromatics. Angel Olsen lançou um dos melhores, se não o melhor, disco do ano passado! O remix remete total ao Chromatics e as pistas de dança, ao contrário do clima do disco da Angel Olsen, solta o play pra dançar!


Bioma – Cidade Perdida (single)

Cidade Perdida tem uma das mensagens mais importantes sobre o momento atual, ouça no volume máximo e com a letra do lado! Texto direto do Instagram da banda:

Sexta-feira, 10 de abril, finalmente podemos compartilhar com vocês esse clipe feito com tanto carinho e urgência.
Não urgência no sentido poético, mas urgência no sentido político. Vivemos hoje uma crise ambiental. Uma crise do excesso, da exploração humana corporativa sobre a natureza. O coronavirus é uma crise ambiental.
Os problemas que vivemos não são fatos da natureza e da realidade. São impostos pelo nosso modo de viver. E se somos parte da causa, somos também parte da solução. Enxergar os erros, os danos e as violências não deve ser feito para nossa piedade, para entendermos que existe alguém ruim para que sejamos bons. Não. Enxergar os erros é o primeiro passo para ações e soluções.
Já passou da hora de só nos preocuparmos com os problemas intra-urbanos. Temos que enxergar, para ontem, que as violências que vivemos em cada âmbito são fruto de uma mesma forma de ver o mundo, são fruto de um mesmo grande erro. E nisso, enxergar que nossa luta precisa ser ampla, frontal e multi-disciplinar; precisa ser uma luta unida.
Num grito por mudanças, “Cidade Perdida”, dirigido por Júlia Gimenes. —
Queremos deixar o nosso agradecimento a todes profissionais do jornalismo independente, militantes ambientais e principalmente lideranças indígenas, como Tamikuã Txihi, Sônia Barbosa e Julieta Paredes.

Deaf Kids e Rakta – Sessões Selo Sesc #6: Rakta + Deaf Kids

Duas das bandas favoritas da casa juntas! Aliás, essa parceria não é de hoje, ouça aqui o compacto FORMA/SIGILO. Entre distorções instrumentais e trajetos paralelos pela música, os integrantes Douglas, Marcelo e Mariano, do DEAF KIDS, Carla, Paula e Maurício, do RAKTA, já tiveram diversas interações criativas e até turnê conjunta pela Europa. O Sessões Selo Sesc #6: Rakta + Deafkids é um registro desta jornada psicoativa, de ecos agressivos e sensações além de qualquer dimensão sonante.


Digitaldubs e Rebel Layonn – Bills Pilling Up (single)

Essa primeira colaboração entre Digitaldubs e o talentoso artista haitiano Rebel Layonn é lançada num momento muito difícil pra humanidade, mas faz ainda mais sentido agora. “Bills Pilling Up” fala sobre os problemas econômicos que quase todos vivem nesse complicado sistema capitalista. Agora, com a pandemia de coronavírus e a mega crise econômica resultante, as pessoas mais pobres são as que sentem mais o estresse de pilhas de contas em cima da mesa e nenhum trabalho – ou pior, serem obrigados à trabalhar com risco de contaminação. É hora de repensar todo o sistema! Texto direto do bandcamp da banda!


Felipe Neiva – Mata Atlântica (single)

Primeiro single do novo disco do genial Felipe Neiva, o sétimo lançamento do cara desde 2013! Em entrevista para o Música Pavê, Felipe diz que a música é “sobre uma certa humildade em tentar entender que no jogo da vida você tem que se ‘sujar’, numa certa medida. Talvez seja necessário absorver um pouco do pensamento opressor, genocida, etnocida e de dizimação das florestas, para então devolver respostas mais estratégicas”


Flat Worms – Antarctica

Pós punk garageiro muito brabo! Disco produzido na Electric Audio, onde o álbum foi gravado e mixado em colaboração com Steve Albini e Ty Segall.


Grupo Porco – Amanhã Vai Ser Pior (Facada Cover)

Iniciativa de artistas de rock triste, gênero criado por fãs, para ajudar comunidades carentes nesse tempo de crise.
Um cover por semana até outubro.
Nenhum lucro será destinado aos artistas. Todos os lucros são destinados ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.

John Coltrane – Work From Home with John Coltrane

Tem coletânea do Coltrane também, não tem nada de novo, mas é sempre bom uma seleção de quase 3h30 do cara!


Jozef van Wissem – A Horse with No Name (single)

Jozef van Wissem é um compositor que tem o alaúde como instrumento principal (busquem outros sons do cara, vale a pena!). Nesse novo single ele vem com uma versão incrível da clássica Horse with no name, do America! Será que vem disco novo por aí?


Katina Surf – Gangue do Mostarda (single)

Primeiro single da banda carioca de rock psicodélico-shoegaze-britpop, formada por Sanchito (Guitarra), Joab (Bateria e voz), Larry (Voz), Godot (Guitarra) e Igor (Baixo), só gente braba! O nome da banda foi tirado do chinelo Katina Surf (quem nunca teve um?), popular nos anos 80. Mas Katina é também o nome de uma baleia capturada no Oceano Pacífico em 1978 para o SeaWorld Orlando, como informa o release da banda.


Laura Marling – Song For Our Daughter

“Na iminência da mudança em todos os tipos de circunstâncias, não vi razão em reter algo que, no mínimo, poderia nos divertir ou, na melhor das hipóteses, proporcionar algum senso de união”, assim que Laura Marling anuncia o lançamento novo disco, originalmente programado para o meio do ano, mas com lançamento antecipado para a última sexta!


Macaco Bong – Reartista

Disco novo de uma das melhores bandas desse país! Reartista é o sexto álbum do Macaco Bong e já começa com uma versão absurda de Amendoim, do clássicasso disco Artista Igual Pedreiro (2008). Ouça no volume máximo!


Taco de Golfe – José (single)

Taco de Golfe é uma das melhores bandas instrumentais desse país! Jjosé, o primeiro single e segunda faixa do novo disco, que chega dia 24/04, nas palavras da banda, retrata a correria de um cara trabalhador e melífluo, que voa pela cidade fazendo o que o dia lhe pediu; o que não é pouco.


The Breeders – Pale Fire (Live 1994)

Conhece Breeders, né? Se não corre lá pra escutar sem medo. Esse é um ao vivo direto do anos 90, a banda na sua melhor forma!


The Dream Syndicate – The Universe Inside

Tu curte The Fall, Ornette Coleman, John Coltrane, Dinosaur Jr., Sonic Youth e tudo que tem entre o jazz, pós punk, no wave e noise? Cai dentro desse disco!


The Strokes – New Abnormal

Primeiro disco cheio do Strokes depois do horrível Comedown Machine (2013). O disco conta com a produção do mago Rick Rubin e parece ser uma volta da banda a boa forma que os consagrou na primeira década do século!


Thiago Nassif e Arto Lindsay – Soar Estranho (single)

Thiago Nassif é um músico, compositor e produtor que mistura elementos do no-wave e tropicália, bem do jeito que a gente curte aqui no Disconversa! Esse é o primeiro single, com a participação do nosso tão amado Arto Lidsay. O título do álbum (Mente) representa a atitude de Thiago em relação ao que ele chama de estado “pós-verdade” do regime político do Brasil. Misturando as línguas do português e do inglês, Thiago mergulha profundamente na música eletrônica experimental no-wave, tropicalismo, jazz e rock, passando do funk carioca ao distópico, bossa nova distorcida e muito mais.

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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