Os discos da semana #112 (30/04 a 06/05)

Salve, discólatra!

Esses são os 10 álbuns/EPs e 10 singles que mais escutamos nos últimos dias aqui na redação do DCV!

Não deixe de seguir a nossa playlist de lançamentos, ela é atualizada semanalmente por Jônatas Marques e Vitor Silveira. A capa é de William de Abreu. Bora conferir?


Entre álbuns, EPs e singles, alguns destaques da curadoria:

CARU – Paris, Bahia

CARU, que trabalhou com nomes como Kassin, Bruno Giorgi, Tó Brandileone, Julia Branco e Diogo Strausz e é sobrinha do icônico maestro Fernando Santos, primeiro professor de percussão da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresenta o novo EP, intitulado Paris, Bahia.

O EP versa sobre não viver dentro de um estereótipo e sobre todos os sentimentos envolvidos em uma constante busca cigana. Um mesmo sentir envolve todos que um dia já foram embora, que estão distantes da sua terra umbilical e que vivem em cigania. Paris, como Tom Zé apelidou a cidade de Feira de Santana, é cidade natal de CARU. O nome nasceu a partir de uma troca de e-mails entre CARU e o tropicalista:

“Estava trocando e-mails com o Tom Zé sobre o meu tio Fernando Santos e porque eu iria regravar uma canção dele. Isso já faz uns dois anos. Nessas trocas de e-mail, ele falou que nunca mais tinha ido a Paris. Mas só entendi quando Neusa fez o adendo depois: “até hoje ele chama Feira assim, de Paris. Eu queria falar de Feira. De onde eu vim. Mas de um jeito diferente. Feira pra mim, nesse primeiro viés, é Paris de uma mulher elegante. Vivência. Revoltada. Saudosa. Braba. Tieta. Cheirosa. Olhar firme. Cigana. Cosmopolita. Independente”, completa.


Gabriel Campos – Copo Furado

Copo Furado é o EP de estreia do mineiro Gabriel Campos. O compositor procurou mesclar elementos do dream pop, do funk estadunidense e do rock alternativo para criar um som mais intimista, mas que também pudesse despertar nas pessoas alguma vibração ou euforia. As músicas para o EP começaram a ser compostas em 2019, quando Gabriel tinha 18 anos, e foram finalizadas dois anos e meio depois, aos 20 anos. As gravações, porém, só terminaram no início de 2022.

O arranjo dos instrumentos foi inspirado por músicas de artistas como King Krule, Fábio de Carvalho e Yellow Days. Segundo o mineiro, um dos objetivos do EP era tentar fazer algo que as pessoas pudessem dançar ao escutar e, para isso, foram combinados alguns elementos do funk, como os baixos do músico Fernando Bones. Já as letras são um reflexo da introversão do artista: através de uma escrita um pouco acuada e uma interpretação tímida, Gabriel tentou transmitir as dificuldades de se relacionar com outras pessoas, seja em uma conversa de bar com amigos ou em um show com diversas pessoas desconhecidas. 

Participam do EP os músicos Matheus Fleming da Young Lights (bateria nas músicas Silêncio, Espaços e Sonho Estranho), Marcelo Xamã (solo na música Silêncio) e Fernando Bones da Aldan (baixo e mixagem/masterização), além do próprio Gabriel Campos (guitarra, sintetizadores e vozes).


Leonel – Sal e Limão (single)

Em Sal e Limão, Leonel considera as especificidades dos relacionamentos de hoje, a facilidade de encontrar pessoas, a liquidez das relações, as gigantescas redes sociais, entre tantas outras coisas, para esmiuçar essas questões. A música faz isso à partir do brega, jogando no lado das lamentações e lamúrias, em complemento com o samba, com seu jeito mais interior e dissecado, criando um panorama sentimental vasto e diverso propício, justamente, para dialogar sobre esses temas e particularidades.

A canção foi gravada à partir da base de bateria, juntando os elementos encima dessa fundação. Alguns músicos da cena de Salvador, como Bernardo Passos e Rodrigo Oliveira (flerte flamingo), Fatiota e André Bahiense (Cinema Berlim), participaram trazendo suas vozes e um lado mais contemporâneo da cena. A gravação, realizada no Estúdio Mangus, foi realizada pensando nesse processo de mistura inicial, gravando os instrumentos de percussão do samba e o violão encima da base de bateria “brega”. Construindo, então, os elementos diversos por cima; o órgão, o trompete, as vozes, o sintetizador…


Leia a bula:

Álbuns e EPs
1. Bárbara Sut – Calor
2. CARU – Paris, Bahia
3. Dieguito Reis – Verão Na Cidade Sem Mar
4. Gabriel Campos – Copo Furado
5. Haroldo Bontempo – Haroldo Bontempo
6. Luzmilla Luz – Sintrópica
7. Markko – 24 / 7
8. Tiago Sá – Musica Pra Te Aguçar
9. TORTO – Expediente
10. Victor Kinjo – Terráqueos

Singles
1. Bel Medula – A Pedra e a Vidraça
2. Fizeram a Elza – Jardineiro
3. Gigi e a Fábrica Mágica – Eu Digo Sim
4. Leonel – Sal e Limão
5. Luana Berti – sabor saudade
6. Marina Melo – Loukkk
7. Moons – Best Kept Secret
8. Tofallini – Modo Avião
9. Vitrola Sintética & Paulo Miklos – Voz e Delírio
10. Yannick Hara & Prefeitura – Quem Milícia a Milícia?


Continue usando máscara conforme a necessidade e em locais fechados. Vá vacinar quando for a sua vez e não ouça o atual presidente.

Aquele abraço e até semana que vem!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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