Os discos da semana #83 (25/09 a 01/10)

Salve, discólatra!

Nesses últimos dias, escutamos 20 álbuns / EPs e 20 singles , que fazem parte da nossa playlist. Do noise ao soul, da MPB ao dream pop, você encontra tudo aqui no Disconversa!

Não deixe de seguir a nossa playlist de lançamentos, ela é atualizada semanalmente por Jônatas Marques e Vitor Silveira. A capa é de William de Abreu. Bora conferir?

Arthur Navarro, Kiranpal Singh & Dhiego Valadares, Dancoes, Der Baum, Meu Funeral, Papisa & HAEMA e sobretvdo lançaram vídeos que valem o confere, basta clicar no nome de cada artista para assistir!


Os álbuns Duo Mutual – I e 333 foram lançados apenas via Bandcamp, e por isso ficaram de fora da playlist.


Entre álbuns, EPs e singles, alguns destaques da curadoria:

Guilherme Barros – Entre Miranda e Jangada por Vitor Silveira
Guilherme Barros é músico e produtor. Compõe trilhas sonoras no Coletivo Teremin e faz parte do duo Cæs, com Bruno Bort. Em Entre Miranda e Jangada, seu trabalho mais recente, Guilherme organiza sons assim como John Cage, uma de suas referências. Gravações de campo se misturam com o seu violão criando um álbum altamente visual mesclando tons de noise com cenas mais triviais. Não a toa, atualmente Guilherme tem se dedicado a investigar a construção do espaço e da percepção a partir de memórias sonoras.


Gustavo Infante – Pássaros por Vitor Silveira
Pássaros é também um álbum imagético, as letras remetem a temas visuais sobre liberdade, transformação, sonhos, coragem e conexão por meio dos pássaros – criaturas do ar, da terra e da água. O álbum, que chega via Selo Bastet, é resultado de um processo contínuo de investigação com processamentos (Reverb e Delay), tape loops, fita cassete, voz, violão e canção e é o segundo lançamento do compositor, violonista e cantor Gustavo Infante.


Juçara Marçal – Delta Estácio Blues por Jônatas Marques
Sim, eu sei. Aqui no Disconversa nós gostamos de dar espaço e até priorizar bandas novas, artistas que estão começando, que fazem coisas diferentes e surpreendentes. Mas assim, antes de descobrir novos artistas ou até começar a fazer o seu trabalho artístico, é dever de todos aqueles que amam música conhecer o trabalho de Juçara Marçal, que lançou o seu mais novo álbum: Delta Estácio Blues. Arrisco dizer que esse é o disco mais potente da cantora, compositora e atriz. O single Crash, que saiu há algumas semanas, já dava esses sinais, mas ouvir as 11 faixas na sequência me fez sentir cada porrada que este trabalho primoroso causa no ouvinte. E no final vem a calma de espírito com a faixa que fecha o álbum: Iyalode Mbé Mbé – uma dentre as 7 favoritas desse álbum para mim.

Mesmo com poucos dias de lançamento (e muitas vezes ouvindo repetidamente), já sinto esse álbum como um refúgio para momentos em que sentimos tanta coisa, que uma emoção atropela a outra. Então, após ouvir as faixas de Delta Estácio Blues podemos sentir que as coisas estão minimamente nos lugares que deveriam estar. Sem contar a experiência ao vivo, que não vejo a hora de viver e conferir esse lindo espetáculo proporcionado por Juçara e sua incrível turma. O disco conta com participação de Kiko Dinucci, Fernando Catatau, Thiago França, Cadu Tenório, Rômulo Alexis, Paulinho Bicolor e Thais Nicodemos (ufa!). Falando em Thiago França, vale mencionar também o seu novo álbum lançado pelo o seu projeto “A Espetacular Charanga do França” (ouça aqui), então aqui ficam duas recomendações em uma. O lançamento de Delta Estácio Blues é pelo QTV Selo.


projetopalavra – rádio rastro reto resto rito ríspido roto rosto rufo ruído por Jônatas Marques
Confesso que o nome rádio rastro reto resto rito ríspido roto rosto rufo ruído me chamou a atenção rapidamente ao zapear a lista de lançamentos da semana. Bom, não me arrependi de dar play nesse trabalho do Gustavo Gaspar Almeida, a mente por trás do projetopalavra. O álbum é uma viagem narrativa através de diversos elementos sonoros não convencionais, ao mesmo tempo que te causa uma coisa nova a cada camada apresentada, as faixas não são construídas de uma forma aleatória para se “criar algo novo”. Em diversos momentos, um som ambiente se torna um trecho de melodia que te faz pensar “uau, eu não espera isso e gostei demais”. Vale muito a pena experienciar rádio rastro reto resto rito ríspido roto rosto rufo ruído e conhecer um pouco mais do projetopalavra, que coleciona outros 3 álbuns e 4 EPs. O lançamento é pela Tal & Tal Records.


SLVDR – (結び) Musubi por Jônatas Marques
É muito fácil me recomendar artistas novos, principalmente quando se trata de um som instrumental. Me aguça a curiosidade descobrir como aquele artista ou banda encontra as soluções para suprir a falta de uma melodia vocal dentro de uma música. E podemos dizer que a banda carioca SLVDR tem muitas dessas soluções na manga. (結び) Musubi, ideograma que significa nó, conexão, união ou conclusão, é o EP de reunião da SLVDR, que lançou o último álbum em 2016. Durante as 4 faixas, cada uma escrita por um integrante da banda, é possível destacar todos esses elementos essenciais de uma banda instrumental: a repetição de versos que crescem com o decorrer da faixa, riffs e muita influência do math rock e o uso de diferentes instrumentos como o principal em cada canção. (結び) Musubi conta dub master de Gabriel Ventura (Ventre) nas duas primeiras faixas; arte, capa e fotos de João Fujioka; Master por Jr. Tolstoi; Mix por Bruno Flores e Hugo Noguchi.


V/A – 333 por Vitor Silveira
333 é uma coletânea que celebra os 3 anos de Música Insólita, um dos mais proficientes e inquietos selos dedicados ao ruído e aos sons invisíveis do Brasil. O álbum é um trabalho feito em parceria com grande parte das artistas que lançaram algum trabalho com o selo ao longo desses 3 anos. Participam b-Aluria, PMNT, k0k0n, Verjault, Taticocteau, Marcus Neves, Guache, Paulo Dantas, Verónica Cerrotta, Leo Alves, Agla Aëón, Vulgar Débil, Teratosphonia, Orlando Scarpa Neto, Leonardo Oliveira, Gimu, Caeso, Flávia Goa, Herbert Baioco, Música das Cinzas e em extinção. Que venham mais 3 anos, e depois mais 3, mais 3, e assim por diante!


Entre os singles, destacamos:

Adriana Vieira – Deviam Vender (ouça aqui) por Vitor Silveira
Adriana Vieira é professora, compositora e cantora – não necessariamente nessa mesma ordem, ela aponta. Deviam Vender é o primeiro single de seu primeiro álbum NADA SÓ, produzido por Marcelo Callado e pela própria Adriana Vieira, com lançamento marcado para 10/10 junto a um show online e presencial – confira aqui. O single mistura aquela guitarrinha deliciosa à la Lanny Gordin com samba, pop urbano e algumas outras tantas referências. Por aqui aguardamos ansiosamente pelo álbum!

Dancoes – Pra Machucar Meu Coração (ouça aqui) por Vitor Silveira
Dancoes é um músico capixaba que atualmente mora na Flórida (EUA). Ary Barroso foi um mineiro, compositor de Aquarela do Brasil e outras tantas canções, um dos reais arquitetos da música brasileira. Os dois se encontram em Pra machucar meu coração, lançada originalmente em 1943, e que provavelmente encontrou a sua versão definitiva no álbum Getz / Gilberto (1963). Mas é sobre isso e tá tudo bem, músicas que tem versões definitivas ainda precisam de novas roupagens, e é aí que entra Dancoes. Dialogando com Mogwai, Tortoise e afins, hoje a letra e melodia dialogam com a pandemia e esse momento de vida arrastada que estamos vivendo e já tá fazendo um ano e meio, amor.

FOGU – Tanta Coisa (ouça aqui) por Jônatas Marques
FOGU é o projeto musical de Gustavo Foppa, músico e produtor fonográfico que trabalha com trilhas para cinema e séries há mais de 15 anos. Tanta Coisa é o single de estreia do artista e já mostra muita versatilidade: uma pitada de música brasileira com violão e voz, ao mesmo tempo que usa muito do conjunto de banda e solo de guitarra e ainda há espaço para encaixar um sambinha no meio da faixa. Toda essa diversidade sutil conversa muito bem em Tanta Coisa. O single é uma das primeiras produções de Diogo Brochmann, integrante da banda Dingo Bells, além de contar com Bruno Neves na bateria e Mariano Wortmann no baixo.


Leia a bula:

Álbuns e EPs
1. Adrian Younge & Ali Shaheed Muhammad – Instrumentals JID009
2. Arthur Navarro, Kiranpal Singh & Dhiego Valadares – Fusão Ancestral
3. Bemti – Logo Ali
4. Caostropi – Brutalidade Jardim
5. Dada Hotel – Dilúvio / Deserto
6. Der Baum – DB93
7. Duo Mutual – I
8. Guilherme Barros – Entre Miranda e Jangada
9. Gustavo Infante – Pássaros
10. Juçara Marçal – Delta Estácio Blues
11. Meu Funeral – MODO FUFU (Ao Vivo)
12. Nuven – Sumidouro
13. projetopalavra – rádio rastro reto resto rito ríspido roto rosto rufo ruído
14. Ricardo Schneider & Hoffy Beats – Flora
15. Rogério Skylab – Caos e Cosmo 1
16. SLVDR – (結び) Musubi
17. Sofie Jell – Beauty Lies in the Eyes Pt.2
18. Thiago França presents A Espetacular Charanga do França – The Importance of Being Espetacular
19. V/A – 333
20. V/A – Nightbird Apresenta: Canções de Isolamento, Vol. 2

Singles
1. Adriana Vieira – Deviam Vender
2. Ananda Jacques – Aposta
3. Basmoura & A Banda dos Sonhos – Ao Som do Silêncio
4. Dancoes – Pra Machucar Meu Coração
5. FOGU – Tanta Coisa
6. Gah Setubal – Na Pressão
7. Hugo Moura – Candangos
8. Inquilinos da Casa Verde – Lá Vem o Tempo
9. Jards Macalé & João Donato – Côco Taxi
10. Jeza da Pedra – Poeira Cósmica
11. Papisa & HAEMA – Fortuna
12. Pedro Sá – Maior
13. Pedro Santos – Em Casa
14. Real Sociedade – Um homem muito esquisito
15. sobretvdo – ANTIDEPRESSIVOS
16. The Baggios, Chico César & Cátia de França – Barra Pesada
17. Thomé – cheiro de mar (improviso nº 1)
18. Valv – An Envious Sun
19. Versa Libertália – À Deriva
20. Xha + Rodrigo Estelar – Ao Lembrar II


Continue usando máscara e, sempre que possível, mantenha o isolamento social. Vá vacinar quando for a sua vez e não ouça o atual presidente.

Aquele abraço e até semana que vem!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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