Os discos da semana #84 (02/10 a 08/10)

Salve, discólatra!

Nesses últimos dias, escutamos 16 álbuns / EPs e 20 singles , que fazem parte da nossa playlist. Do reggae ao grindcore, da gravação de campo a MPB, você encontra tudo aqui no Disconversa!

Não deixe de seguir a nossa playlist de lançamentos, ela é atualizada semanalmente por Jônatas Marques e Vitor Silveira. A capa é de William de Abreu. Bora conferir?

Adriana Vieira, Duo Gisbranco & Julia Vargas, eliminadorzinho, Jungle Jun, O Cientista Perdido, Os Roucos e Semper Volt & Ava Rocha lançaram vídeos que valem o confere, basta clicar no nome de cada artista para assistir!


Entre álbuns, EPs e singles, alguns destaques da curadoria:

Adriana Vieira – Nada Só por Vitor Silveira
Nada Só é a estreia em álbum de Adriana Vieira, professora, compositora e cantora – não necessariamente nessa mesma ordem, como ela mesma aponta. E que estreia! Nem um pouco só, Adriana vem acompanhada por grandes nomes como Marcelo Callado, Maurício Tagliari e Gustavo Benjão, só para citar três nomes que sempre colam aqui pelo Disconversa. O álbum passeia por timbres e sons que dialogam com a tropicália, com a psicodelia nordestina e com aquela MPB 70 para os dias atuais que nós amamos por aqui. Confira também o clipe de “Deviam vender“!


Fernando Parré – Forja por Jônatas Marques
Depois de um álbum (Gerúndio – 2020) e um single (Portuária – 2021), Fernando Parré chega com seu mais novo EP cheio de conceitos: Forja. Segundo o próprio artistas, as 4 faixas representam 4 formas de ser, estar, sentir e existir no mundo contemporâneo. Escutar essas 4 faixas te leva em uma experiência simples e complexa ao mesmo tempo; Fernando explora muito bem cada verso com diversas camadas tão bem encaixadas que eu fiquei preso por um tempo aqui. Talvez a faixa que melhor representa isso seja Luta, é algo como “ok, o que você vai me apresentar de novo aqui?”, e esse novo aparece frequentemente durante o EP. Cada faixa tem a sua própria ideia imagética, algo que influenciou na identidade sonora também, por isso a capa é dividida em 4 imagens. O lançamento de Forja é pelo selo FAINESTAI e a masterização foi feita por Guilherme Chiappetta.


Ulises Conti – Escuchar Con los Dedos Meñiques de los Pies por Vitor Silveira
Pensei muito em como começar esse textinho, e em como apresentar o trabalho de Ulises Conti aqui no site. Ulises é um compositor argentino desses que não se limitam, sua música passeia por colaborações em outras áreas, como o cinema, as artes plásticas e as artes cênicas, construindo uma discografia extensa e de qualidade – discografia essa que passei a acompanhar depois desse show, produzido por Mauricio Gouveia. Escuchar Con los Dedos Meñiques de los Pies é um álbum que encanta já pelo título. Fruto de uma viagem de dois anos de duração, onde Ulises ficou na comunidade Tenharim, nome pelo qual são conhecidos três grupos indígenas que vivem hoje na região do curso médio do rio Madeira, no sul do Estado do Amazonas. Nele, encontramos canções rituais, sinos, barcos, insetos, cachoeiras, macacos e relógios entre as gravações de campo que compõem a obra.


Yatho – como me sinto hoje por Jônatas Marques
Os primeiros segundos do EP como me sinto hoje do trio Yatho já me despertaram a curiosidade e aquela sensação “opa, temos algo interessante aqui”. A primeira faixa, incansável busca pelo nada, é uma bela demonstração do que é o EP e o que é o trabalho do grupo, formado por artistas de Taubaté e São Paulo. Sabemos que o termo “experimental” tem se tornado um tanto banal no meio musical nos últimos anos, mas preciso utilizá-lo como a principal referência enquanto escutava como me sinto hoje. A mistura de elementos eletrônicos e analógicos e a busca por não se fixar em um estilo musical só – apesar de ter sempre o techno como estrutura das faixas – é o que desperta o interesse neste trabalho. Com a chegada do EP, a banda também realizou uma live de lançamento e uma apresentação mais intimista (que você pode conferir aqui), além de oficinas e workshops sobre produção musical (você pode acompanhar as datas pelo Instagram da Yatho).


Entre os singles, destacamos:

Oruã – Essência Bruta (ouça aqui) por Jônatas Marques
Essência Bruta é o primeiro single do mais novo álbum da Oruã: Íngreme. E nessa faixa já dá para esperar muita coisa boa desse novo trabalho. A voz de Lê Almeida com um riff de guitarra em looping – que vez ou outra muda um pouco – além de uma bateria e teclado que lembra timbres psicodélicos e de um rock clássico: uma total viagem durante os quase 4 minutos de música. Depois de percorrer os trabalhos de Lê Almeida e pirar nos artistas da Transfusão, Romã (2019) foi o álbum da Oruã que me abriu ainda mais a cabeça para o “fazer música”. Essência Bruta me deixa ainda mais curioso para o que a banda carioca vai inventar de novo nesse novo trabalho. Íngreme tem data de lançamento prevista para 29/10, o álbum foi gravado em vários lugares do mundo e possui 13 faixas. “O registro é uma posição de sobrevivência, a mais íngreme até então”, resumiu Lê Almeida.


Sergiopí – Preciso Me Encontrar (ouça aqui) por Vitor Silveira
Preciso me encontrar, canção composta pelo genial portelense Candeia a pedido do jornalista Juarez Barroso. Gravada, entre tantas versões, por Cartola, Marisa Monte, Ney Matogrosso, Teresa Cristina, Zeca Pagodinho, e que agora ganha uma roupagem eletro-orgânica nas mãos de Sergiopí com produção de Wado. Cabem aqui as aspas sobre a inspiração para a gravação: “Esse era um daqueles sambas que tocavam na vitrola de casa. A jornada de um homem rumo ao seu encontro. Lembro da minha mãe contando as histórias sobre o meu avô, seu pai, que infelizmente não conheci por conta dos anos de chumbo. Decidi regravar a música quando soube, durante essa interminável fase apocalíptica, que meu saudoso avô Dagmar dividiu cela com ninguém menos que Graciliano Ramos. Meu avô era um homem preto, culto e comunista”. O single abre os trabalhos para o álbum “Praeteritum“, previsto para o dia 5 de novembro.


Leia a bula:

Álbuns e EPs
1. Adriana Vieira – Nada só
2. Assini – broken hearts
3. Badbadnotgood – Talk Memory
4. Blubell – Música Solar Para Tempos Sombrios
5. Desalmado – Mass Mental Devolution
6. Duo Gisbranco & Julia Vargas – Bruta Flor
7. Felipe de Oliveira – Terra Vista da Lua
8. Felipe S – Espelhos
9. Fernando Parré – Forja
10. GABY GUIMA – Grades
11. Ricardo Cesar – Noite Neon
12. Terno Rei & Samuel Rosa – Conexão Balaclava: Samuel Rosa e Terno Rei
13. Thiago Valle – Gypsy Tears
14. Ulises Conti – Escuchar Con los Dedos Meñiques de los Pies
15. Wander Wildner – Coração Selvagem
16. Yatho – como me sinto hoje

Singles
1. All I Hate – Hatred
2. Andrea Martins – Asma
3. Caos Lúdico – Novo Dia
4. César Lacerda – Me Diz por Que Brigamos
5. eliminadorzinho – Eu Só Preciso de Um Tempo
6. Enzo Borges – quiet my mind
7. Everton Santos – Invisível
8. Jaquie Livino – Lembra de Respirar
9. Jungle Jun – Sangria Desatada
10. Luis Carlinhos & Helio Bentes – Deixa Passar
11. Marcelo Bonfá – Improvável Certeza
12. O Cientista Perdido – Loop
13. O Grito & Angelo Gonzales – Coração Miserável
14. OLVRA – DESORDEM/DESCENSÃO
15. Oruã – Essência Bruta
16. Os Roucos – Movimento Contínuo
17. Semper Volt & Ava Rocha – Partido Alto
18. Sergiopí – Preciso Me Encontrar
19. Tacy de Campos – O Nosso Amor vai Virar uma Árvore
20. Wry – Where I Stand


Continue usando máscara e, sempre que possível, mantenha o isolamento social. Vá vacinar quando for a sua vez e não ouça o atual presidente.

Aquele abraço e até semana que vem!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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