Os discos da semana #87 (23/10 a 29/10)

Salve, discólatra!

Nesses últimos dias, escutamos 20 álbuns / EPs e 20 singles aqui no QG do DCV!

Não deixe de seguir a nossa playlist de lançamentos, ela é atualizada semanalmente por Jônatas Marques e Vitor Silveira. A capa é de William de Abreu. Bora conferir?

A Transe, Atalhos, Eugênio, Giovanna Moraes, Maikão, O Cientista Perdido e TAXIDERMIA lançaram vídeos que valem o confere, basta clicar no nome de cada artista para assistir!


Entre álbuns, EPs e singles, alguns destaques da curadoria:

Retalho – Incerteza por Jônatas Marques
Incerteza foi um álbum que me fez criar uma playlist para registrar as “agradáveis surpresas de 2021” e acho que, para mim, não tem como definir melhor este trabalho. Há muitos elementos interessantes aqui, um deles é o uso de samples de artistas brasileiros como Ronnie Von e João Donato. Outra característica interessante é a continuidade entre as faixas, fazendo o ouvinte transitar entre diferentes sonoridades sem, de fato, sair daquele mesmo lugar, sem fazer pausas. Além disso tudo, o excelente instrumental explora tão naturalmente percussões e samples que é preciso prestar atenção para notar a diferença. Retalho é um duo de Americana, cidade do interior de São Paulo, formado por Jessé Oliveira e Eduardo Camargo e Incerteza é o segundo álbum da dupla, que já lançou outros 3 singles. Sério, você precisa ouvir isso!


O Cientista Perdido – Corpo no Infinito por Jônatas Marques
Com uma mistura de indie, lo-fi, synthpop e muito de rock alternativo, o EP Corpo no Infinito percorre tantas ideias diferentes que pode ser considerado um ótimo modo de conhecer O Cientista Perdido. O projeto é desenvolvido por Rodrigo Saminêz, músico, produtor e comunicador brasiliense. Confesso que sou suspeito para falar sobre projetos em que uma pessoa “faz tudo”, já que nesses casos é possível perceber claramente como as diferentes referências se transformam e moldam a identidade do artista. As 5 faixas de Corpo Infinito demonstram exatamente isso sobre Rodrigo, e como ele trabalha essas referências para criar algo novo e original, principalmente na variação em suas harmonias e nos diversos instrumentos e timbres que ele utiliza durante o EP. Corpo Infinito foi produzido por Rodrigo Saminêz, com mixagem de Gustavo Halfeld e masterização de Bruno Giorgi.


Oruã – Íngreme por Jônatas Marques
Acho que só depois de ver um show da Oruã na frente do Escritório – o primeiro nessa volta das atividades culturais – foi que caiu minha ficha sobre o que é Oruã. O álbum Romã me agradou muito, mas ainda com uma vibe de um som de estúdio, pós-produzido e tal. Em Íngreme, novo álbum da banda, a impressão é outra, parece que tudo é muito mais tocado e feito ‘ao vivo’. As duas baterias (sim, DUAS!) deixam os versos mais intensos e interessantes, seja pela ótima sincronicidade de Karin e Daniel ou pelo preenchimento que essa dobradinha causa nas faixas Eluar e Eucalypsus. Íngreme foi gravado em diversos lugares do mundo e finalizado em Búzios (RJ). O lançamento é pela Transfusão Noise Records.


Entre os singles, destacamos:

André Gardel – Poeta Xamã (ouça aqui) por Vitor Silveira
Poeta Xamã é uma canção urgente, que une as duas pontas da busca das raízes profundas da música popular: o reggae jamaicano roots e a figura do Pajé/Xamã  – artista, curandeiro, diplomata cósmico, com livre trânsito entre os planos de experiência do sonho e da vigília – que precisa ser inserida, com urgência, no time de poetas brasileiros da canção e da literatura. Como André Gardel propõe na letra “Antes de Gil, Caetano, Chico, Torquato / O pajé poetizava o fato.”

Arnaldo Antunes & Vitor Araújo – Fim de Festa (ouça aqui) por Vitor Silveira
O ano é 2001, um pernambucano (Naná Vasconcelos) e um paulista (Itamar Assumpção) entram em estúdio para gravar um dos álbuns favoritos aqui da redação, Isso Vai Dar Repercussão, lançado só em 2004. Dez anos depois, em setembro de 2021, um pernambucano (Vitor Araújo) e um paulistano (Arnaldo Antunes) entram em estúdio para gravar o álbum Lágrimas no Mar, que será lançado em breve. Abrindo os trabalhos, Vitor e Arnaldo lançam uma versão incrível de Fim de Festa, composição de Itamar presente no disco em parceria com Naná. Aliás, fica a dica de dois trabalhos que ficaríamos felizes em ver na praça em vinil, alô clubes de assinatura!

D’Água Negra – ACOPALICES (ouça aqui) por Vitor Silveira
“Num momento de esvaziamento dos hábitos cotidianos causados pelo isolamento, Acopalices é uma implosão interna que vira arte, onde conseguimos encontrar uma brecha para gritar nosso posicionamento ao mundo”, explica Bruno Belchior, que junto a Clariana Arruda e Melka Franco formam o trio amazonense D’Água Negra, nome explicitamente inspirado pelo místico rio Negro que corta Manaus. Musicalmente encontramos um caldeirão de jazz, blues, soul, breakbeat e música eletrônica para falar de um assunto denso. Isolados, cada um em seu universo particular, o trio observou, estampando as páginas de jornais mundo afora, as imagens que vinham do seu quintal. Covas e mais covas abertas, corpos em excesso, escassez de oxigênio, morte. Manaus era o caos. Lembrando uma pintura de Bosch, as cenas estarrecedoras eram a perfeita ilustração do apocalipse.


Leia a bula:

Álbuns e EPs
1. Arthur Martins – Novo Homem
2. Dy Fuchs – Punk Halloween
3. Espelhos de Okê – Vista Sua Armadura Mais Bonita
4. Eugênio – dentro da caixa, fora do mundo
5. Giovanna Moraes – Manchaca, Vol. 3 (A Complication Of Boogarins Non Authorized Stems, Design, And Aesthetic From São Paulo, Sp)
6. Hugo Moura – Bob Jean on God’s Finger
7. Jova – Emergir
8. Maikão – Ascender
9. Manger Cadavre? – Decomposição
10. Marcelo Cavalcante – (In)produtivo
11. Mariá Portugal – EROSÃO
12. Nosso Querido Figueiredo – Evereste
13. O Cientista Perdido – Corpo no Infinito
14. ORUÃ – ÍNGREME
15. Retalho – Incerteza
16. Riegulate – Rainbow Glasses – Remixes Of Jupiter
17. Semper Volt – OHM
18. Syphilis Non Metal – Broken and Dismembered
19. Verjault – Loungekitsch
20. V/A – Potência PWR

Singles
1. A Transe – Chorey
2. André Gardel – Poeta Xamã
3. Arnaldo Antunes & Vitor Araújo – Fim de Festa
4. Artur Araújo – Nas Entrelinhas
5. Atalhos – La Tentación del Fracaso (Películas Geniales Remix)
6. César Lacerda & Xênia França – Parece Pouco
7. Colidente – Sem Você
8. D’Água Negra – ACOPALICES
9. Dani Bessa – Linha Tênue
10. Djangos – Aeroporto
11. dossel & Silvia Machete – Deixa
12. Filarmônica de Pasárgada – Rios e Ruas
13. Gabrelú – Meta
14. Illy – Ninguém Manda no Meu Coração
15. Luiza Brina & Ana Frango Elétrico – Somos Só
16. Maurício Pazz – Sarau para Alforria
17. O Acaso Mora ao Lado – Manhã
18. Tartamudo, Edgard Scandurra & Taciana Barros – Convite ao Prazer
19. TAXIDERMIA – TAXIDERMIA PUNK
20. Valentin – Moradia Popular


Continue usando máscara e, sempre que possível, mantenha o isolamento social. Vá vacinar quando for a sua vez e não ouça o atual presidente.

Aquele abraço e até semana que vem!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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