Os discos da semana #93 (04/12 a 10/12)

Salve, discólatra!

Nesses últimos dias, escutamos 16 álbuns / EPs e 20 singles aqui na redação do DCV!

Não deixe de seguir a nossa playlist de lançamentos, ela é atualizada semanalmente por Jônatas Marques e Vitor Silveira. A capa é de William de Abreu. Bora conferir?


Entre álbuns, EPs e singles, alguns destaques da curadoria:

Alex Antunes & Death Disco Machine – Alex Antunes & Death Disco Machine por Vitor Silveira
Esse é o primeiro (e muito esperado) disco assinado por Alex Antunes com o próprio nome. Alex Antunes foi vocalista da fundamental banda Akira S e As Garotas Que Erraram – caso você ainda não conheça o disco está acessível a alguns cliques de distância em algum streaming. Em seu novo álbum, com a Death Disco Machine, o músico segue a linha pós punk de Akira S, este inclusive é um dos baixistas que participam da festa, que tem como convidadas e convidados gente do calibre de Sandra Silva Coutinho (Mercenárias), Kodiak Bachine (Agentss), Fabio Golfetti (Violeta de Outono), Miguel Barella (Voluntários da Pátria) e o Fausto Fawcett. O CD físico está à venda na Baratos Afins, na Locomotiva Discos e na Velvet!


Danilo Ferraz – Sábado por Jônatas Marques
Confesso que o disco de estreia de Danilo Ferraz me intrigou desde a primeira vez que ouvi. Ao mesmo tempo que eu percebia alguns “problemas” enquanto escutava, também me impressionava como Danilo conseguia transformar tudo isso em conceito. Afinal, o que é o certo e o errado? Não dá pra definir. Certo mesmo é que Sábado é um manual de criatividade plural para um artista: a transição da faixa 2 para a 3; a melodia da faixa Samba das Luzes; os infinitos efeitos usados quase de forma artesanal; e algumas faixas que soam como músicas de trabalho mesmo em meio a tanta experimentação. Carioca, porém radicado no estado do Espírito Santo, Danilo Ferraz é compositor e multi instrumentista que já participou da banda Volapuque. As 10 faixas de Sábado contam com participações de vários convidados da cena capixaba: o cantor e compositor Juliano Gauche, o saxofonista Salsa Brezinski, o flautista Iago Tartaglia (da banda Gastação Infinita), o tecladista Mario Schiavini, o percussionista Zé Tom, o baterista Douglas Helmer, o violinista argentino Martino Paz e da atriz e diretora cênica, Roberta Portela. O lançamento de Sábado é pelo Selo Mantra / Chinelada Records.


LoreB – Cheio de Vazio por Jônatas Marques
Cheio de Vazio é um daqueles trabalhos confortáveis e gostosos de ouvir por bastante tempo. Durante as 9 faixas – e um pouco mais de 30 minutos – é possível encontrar uma voz marcante de LoreB, junto a um instrumental variado e muito inventivo, tudo isso resulta em músicas que vão de potenciais hits até aquelas que servem como lado B e transparecem liberdade e criatividade. Tentei encontrar artistas que se parecem e podem ter inspirados LoreB, mas quanto mais ouvia Cheio de Vazio mais me convencia que a artista já possui uma identidade difícil de comparar – o que é um baita mérito, óbvio. Além disso, o disco nos presenteia com uma versão de Being Cool, canção originalmente lançada por Djavan em 1989. Cheio de Vazio é o primeiro álbum de LoreB, mas a artista alagoana já possui 2 EPs (um deles ao vivo) e alguns singles. E também há uma versão em álbum visual que você pode conferir aqui (eu amei).


RoB – RoB Love por Jônatas Marques
A primeira impressão de RoB Love me levou para uma direção futurista, meio eletrônico cyberpunk bem ritmado, algo que o Muse tentou fazer nos seus discos mais novos. Mas ao contrário da banda britânica, RoB explora muito bem esse universo e ainda expande ele com reggae, um pitado de música brasileira e, como ela mesma define, ecos jamaicanos. Bastaram 3 faixas, com as letras mudando do inglês para o português frequentemente – o que é fantástico – para eu me apaixonar por RoB Love. Antes de iniciar sua carreira solo, Roberta montou o King Size, um soundsystem que misturava roots reggae com sintetizadores. RoB Love é o primeiro álbum da artista de Recife, que coleciona alguns singles nas plataformas digitais. Vale a pena dar aquele confere.


Entre os singles, destacamos:

Carmen – Segue Seu Caminho (ouça aqui) por Jônatas Marques
Explorando loops eletrônicos e uma melodia na letra e voz que lembra Letrux, Carmen lança o seu primeiro single: Segue Seu Caminho. A faixa é uma daquelas que começa com poucos elementos e aos poucos vai tomando forma, te levando até um lugar de êxtase e que te faz perguntar “Uau, como eu cheguei até aqui?”. Carmen é conhecida da rica cena independente carioca, sendo frontwoman das bandas Lâmmia e Carmen Blues. Neste novo projeto solo, Carmen busca explorar o universo dos beats e do pop, resultado que poderemos conferir no álbum POPS – que tem Segue Seu Caminho como uma das faixas. O single também ganhou um clipe, veja aqui. Segue Seu Caminho é um lançamento da Abraxas Records.

Tiganá Santana & BaianaSystem – Canto para Atabaque (ouça aqui) por Vitor Silveira
Celebrando a memória de Carlos Marighella, Tiganá Santana se une a BaianaSystem para musicar o poema Canto para Atabaque, escrito pelo político, escritor e guerrilheiro brasileiro assassinado pela ditadura militar. A parceria foi costurada a partir de um convite de Maria Marighella, neta de Marighella, feito em 2019, e lançada no último dia 05/12, data do 110º aniversário de Marighella. A letra fala por si só: “Quem fez o Brasil foi trabalho de negro, de escravo, de escrava, com banzo, sem banzo, mas lá na senzala, o filão do Brasil veio de lá foi da África”. O single ainda conta com uma versão adubada pelo grande Buguinha Dub (confira aqui). Eu fico daqui torcendo para que lancem um 7″ desse single!


Leia a bula:

Álbuns e EPs
1. Alex Antunes & Death Disco Machine – Alex Antunes & Death Disco Machine
2. Andréa Laís – Presença
3. Bárbara Eugênia – Crashes n’ Crushes
4. Caburé – Si-Querência
5. Caio Uehbe – Ode aos Perdedores
6. Cássio Gava – Cinco Sentidos
7. Danilo Ferraz – Sábado
8. Diego Tavares – 3 Invernos
9. Elza Soares – Elza Soares & João de Aquino
10. Foli Griô Orquestra – Reverbera
11. La Digna Rabia & Coral Araí Ovy – Sementes da Retomada
12. LoreB – Cheio de Vazio
13. Pedro Santos – Sussurro
14. RoB – RoB Love
15. Um Quarto Pensante – Nascido no Mangue, Criado na Praia
16. Wado – Wado Acústico (Depois do Fim)

Singles
1. A Espetacular Charanga do França – Fita Amarela
2. A Transe – Taróloga Pessimista com Sintomas de Ansiedade
3. Abrahones e os Incuráveis – Parabéns aos Envolvidos
4. Aramà & Chibatinha – Medusa
5. BELA – sal e sol
6. Buena Onda Reggae Club – Big Trouble (Inna Ska Jazz Town)
7. Carmen – Segue Seu Caminho
8. Fernando Maynart – Candombé, CandomBem
9. Laura Dalmás – Transcender Amarras
10. LAZURE – Amor, enfim
11. Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz – Coisa n°2
12. Lu Dantas – Por Inteiro
13. Marcelo Callado & Flu – Tudo É Natureza (Flu Remix)
14. Mixdgroove – Se Você Quiser
15. Os Últimos Escolhidos do Futebol & Paulo Novaes – Lar
16. Pedro Mann – Andar e Ver
17. Rachel Reis & Illy – Me Veja
18. throe – praise​/​breathe (NoiseSys​-​T – redux)
19. Tiganá Santana & BaianaSystem – Canto para Atabaque
20. Vitu – Nosso Tempo


Continue usando máscara e, sempre que possível, mantenha o isolamento social. Vá vacinar quando for a sua vez e não ouça o atual presidente.

Aquele abraço e até semana que vem!

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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