5 + 1 discos sobre ancestralidade com Alteris e Piramidal

Hoje voltamos com um dos quadros mais legais de lá do início do Disconversa, quando ainda éramos só uma página no Instagram!

E pra voltar com o pé direito vamos com a banda cariocas Alteris. Que, no seu mais novo single, levanta a bandeira contra qualquer tipo de racismo e intolerância religiosa, resgata a força da cultura africana e da ancestralidade como a base para a experiência humana. A canção conta com a participação de Yashmin Nunes nos vocais, integrante da banda Piramidal.

A história do clipe nasceu a partir de um sonho do baixista Igor, que vislumbrou um ritual de dança e música vivido por uma miscigenação de povos em terras brasileiras. “O ancestral é, além de tudo, um sobrevivente, um descobridor. Por mais que nós da Alteris sejamos caucasianos, trazemos em nosso interior o respeito e a admiração aos povos originários da África, que são a raíz de tudo o que somos”, explica Igor. “No clipe, a gente quis reproduzir esse ritual de celebração à mistura, ao convívio, ao novo. Música é isso: possibilita a união de pessoas sem julgamentos ou interesses, apenas com o objetivo de viver aquele momento”, completa o vocalista João.

E justamente esse foi o nosso mote.

Convidamos Yashmin Nunes (vocal), João Barros (vocal), Mahayan Maximiano (guitarra), Igor Telles (baixo), Dayan Maximiano (teclado e vocal) e Felipe Miranda (bateria) para cada um escolher um disco sobre ancestralidade!


João Barros: A Tábua de Esmeralda (Jorge Ben)

O lendário álbum de Jorge Ben é algo realmente impactante. O samba por si só já leva consigo de maneira muito forte a questão da ancestralidade, mas além disso o clima criado pelas linhas de violão em conjunto com a voz trazem isso dentro da brasilidade com uma maestria incrível, inclusive com uma difusão bem original com vários elementos da psicodelia. As letras das músicas abordando temas místicos durante o álbum todo também contribuem demais a trazer essa sensação de estar passeando pelo tempo. “Cinco Minutos”, a última faixa do álbum, talvez seja uma das músicas que melhor traduzam a nossa passagem por esse plano. 


Mahayan Maximiano: Paêbiru – Caminho da montanha do sol (Lula Côrtes e Zé Ramalho)

É uma obra dos compositores  Zé Ramalho e Lula Côrtes, que foi inspirado pela lenda da Pedra do Ingá, um monólito escrito no qual não se sabe ao certo quem o fez. Alguns pesquisadores acreditam que as inscrições tenham sido feitas por comunidades indígenas que habitavam a região há cerca de 6.000 anos.Após os músicos terem conhecido a pedra e todas as crenças e mitos em volta dela, decidem buscar interpretação local e folclórica, descobrindo singularidades presentes nas músicas dos índios Cariris, que viviam perto do lugar, uma mistura da cultura africana com a sonoridade indígena, que pode ser observada nas composições do álbum, dando uma sensação de viagem ao ancestral.


Yashmin Nunes: O dia em que faremos contato (Lenine)

Cheio de nuances rítmicas, aliás uma característica constante e marcante de Lenine, o álbum é um convite a conhecer um pouco do nosso Brasil, desde tantas referências nordestinas, como também uma aula sobre nosso arco-íris da miscigenação principalmente com a música “Etnia Caduca”. O que me faz refletir toda a influencia dos povos vindos pra cá, que formaram nosso povo, nossa infinita combinação de cores e culturas que estão presentes no nosso dia a dia.


Igor Telles: Delírio Carioca (Guinga e Aldir Blanc)

Delírio Carioca é um album de 1993 do violonista e compositor Guinga com o mestre Aldir Blanc. O álbum ainda conta com duas composições em parceria com Paulo César Pinheiro, contando ainda com participações de Djavan e Leila Pinheiro. O disco traz elementos da música regional brasileira, como baião, samba, samba-canção, choro, música de câmara e música instrumental. É a síntese da poesia ancestral, da atmosfera carioca suburbana e da cultura musical popular brasileira. Uma verdadeira obra de arte.


Dayan Maximiano: Obrigado, Gente (João Bosco)

Lançado no ano de 2006 é um álbum icônico de João Bosco. Apresenta o talento, a versatilidade e o suingue peculiar do artista, com a participação especial de Djavan, Hamilton de Holanda, Guinga e Yamandú Costa. Entre os sucessos, com grande influência do samba e da música africana, estão: “Incompatibilidade de Gênios”, que aborda com muito humor uma difícil relação conjugal, “O Ronco da Cuíca”, com uma pitoresca letra e métrica vocal, “Jade” trazendo à brasilidade um tempero árabe romântico, além da consagrada “Papel Marche”! Um álbum indispensável na música brasileira. Obrigado, João Bosco!


Felipe Miranda: Parabolicamará (Gilberto Gil)

É um álbum que traz a ancestralidade rítmica brasileira somada com letras que remetem às entidades de matriz africanas. Um acervo que vai desde o toque de angola usado na capoeira até o funk norte americano e possui letras que nos fazem refletir sobre o mundo passado, presente e futuro, em como as coisas evoluem e o quão rápidas tem sido essas mudanças.


Siga a Alteris no Instagram, ouça no Spotify e nas demais plataformas de streaming!

Siga a Piramidal no Instagram, ouça no Spotify e nas demais plataformas de streaming!

Vitor Silveira
Últimos posts por Vitor Silveira (exibir todos)

Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

Deixe um comentário