8 belas canções sobre resistência

Sabe aquela música que toca naquela série daquele streaming? Sabe aquelas expressões que tu sempre ouve por aí e não sabe de onde veio?

Talvez tu já tenha escutado no repeat essas músicas de protesto e não sabe de onde elas saíram e nem sobre o que versa a letra. Vem comigo que te explico!


Manu Chao – Bella Ciao

Bella Ciao foi composta no final do século XIX e teria sido um canto de trabalhadoras rurais que trabalhavam por temporada em plantações de arroz. Mais tarde, a mesma melodia foi a base para uma canção de protesto contra a Primeira Guerra Mundial. Finalmente, a mesma melodia foi usada para a canção que se tornou um símbolo da Resistência italiana contra o Fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

A música foi gravada diversas vezes. A versão do Manu Chao, músico francês de descendência espanhola, cidadão do mundo e anti-sistema, aparece no disco Vivo en Radio Populare, bootleg de 1999 nunca lançado de forma oficial.


Rolando Alarcín – No Pasarán

A história conta que essa é uma expressão utilizada pelos republicanos na luta contra os franquistas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Não passarão!

Rolando Alarcón foi um músico chileno que participou do movimento conhecido como Nueva Canción Chilena, junto com nomes como Violeta Parra, Victor Jara e Tito Fernández. Quase todos os seus integrantes apoiaram o governo de Salvador Allende e foram perseguidos pela ditadura militar instalada pelo golpe militar de 1973. A música No Pasarán faz parte do disco Canciones de la Guerra Civil Española, lançado em 1968.


João Petra de Barros – Quem é o Tal?

João Petra de Barros foi um sambista brasileiro que gravou Noel Rosa, Ismael Silva, Francisco Alves, entre outros. De acordo com o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, ao longo de sua curta carreira, gravou 48 discos, com 94 músicas ao todo.

Quem é o tal? é uma marchinha composta por Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira, lançada no carnaval de 1943. De um jeito tipicamente brasileiro, João Petra Barros tira sarro com a cara de Adolf Hitler “Quem é que usa cabelinho na testa / E um bigodinho que parece mosca / Só cumprimenta levantando o braço / É é é… palhaço!”. A única bola fora é a exaltação a Getúlio Vargas: “Quem tem um G que representa glória / Quem tem um V que ficará na história”, lembrem que em 1943 estávamos em pleno Estado Novo, marcado pelo fato de ter sido propriamente um regime ditatorial inspirado no modelo nazifascista europeu. A marchinha pode ser encontrada no disco Grandes Sucessos de Carnaval da RCA Victor, lançado em 1968.


Leonard Cohen – The Partisan

Essa é uma versão da de La Complainte du partisan, um hino antifascista sobre a resistência francesa na Segunda Guerra Mundial. A canção foi escrita em 1943 por Anna Marly, nascida na Rússia (1917–2006), com letras do líder da resistência francesa Emmanuel d’Astier de la Vigerie (1900–1969).

Leonard Cohen foi um cantor, compositor, poeta e escritor canadense falecido em 2016. The Partisan está no álbum Songs From a Room, de 1969.


Woody Guthrie – All You Fascists Bound To Lose

Woody Guthrie foi um cantor e compositor estadunidense, uma das figuras mais importantes da música popular ocidental, influenciando nomes como Bob Dylan, Bruce Springsteen e Wilco. Usava um adesivo escrito “This machine kill fascists” (Esta máquina mata fascistas) colado em seu violão e foi ligado a movimentos sindicais e ao Partido Comunista.

All you fascists bound to lose nunca saiu oficialmente em um disco do Woody Guthrie, mas abaixo você pode conferir uma gravação de rádio feita por volta dos anos 1940!


Gil Scott-Heron – The Revolution Will Not Be Televised

Você pode até não conhecer Gil Scott-Heron, mas com certeza já escutou alguém falando que “a revolução não será televisionada”, não é mesmo? Sua letra alude a várias séries de televisão, slogans publicitários e ícones de entretenimento e cobertura de notícias que servem como exemplos do que a revolução não vai ser televisionada, e sim acontecerá ao vivo.

A poesia/canção aparece pela primeira vez no disco Small Talk at 125th And Lenox (1970), gravada ao vivo apenas com voz e congas, abaixo você confere a versão de estúdio do álbum Pieces Of a Man (1971).


Elis Regina – O Bêbado e a Equilibrista

O Bêbado e a Equilibrista é uma canção composta pelos enormes João Bosco e Aldir Blanc. Também conhecida como Hino da Anistia, em seus versos os compositores costuram referências de eventos e personalidades ligados a essa época tenebrosa do nosso país, como em “Choram Marias e Clarisses”, citam Maria, filha de Manuel Fiel Filho, e Clarisse Herzog, esposa de Vladimir Herzog, ambos torturados e mortos pelo regime.

Vamos com a versão definitiva, na voz de Elis Regina, do disco Elis, Essa Mulher (1979).


Stage Bottles – Sometimes Antisocial… always Antifascist

Stage Bottles é uma banda alemã que canta em inglês e mistura punk com influências de ska e reggae.

As letras da banda são claramente antifascistas. Sometimes Antisocial… always Antifascist saiu em 1999 no compacto de mesmo nome, e se tornou um hino punk antifascista. Quem nunca viu filtros no Facebook com a frase?


Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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