dadá Joãozinho fala sobre a angústia que transmite a cor “AMARELO SELEÇãO”, confira single-clipe

Após sua estreia, com a bem humorada e ácida “verãozão”, dadá Joãozinho mostra outra faceta em seu segundo single, “AMARELO SELEçÃO”, lançado via selo Primata.
Foto: Luisa Cerino

Persona de João Rocha (ROSABEGE), dadá Joãozinho é um cantor/compositor e intérprete brasileiro que gentilmente se descreve como “artista na cidade”. O ano de 2020 começou quente para dadá, quando, em fevereiro, estreou com o single bem recebido, “verãozão” (Primata). Agora, em meio a pandemia do Covid-19 e o caos político nacional, dadá Joãozinho se vê pronto para a estreia de mais uma de suas crônicas sobre a contemporaneidade e divulga, novamente em parceria com o selo fluminense Primata, o single-clipe “AMARELO SELEÇãO”.

dadá Joãozinho nasceu no Brasil, mas, sobretudo, do Brasil. Foi conhecendo algumas das versatilidades que a cultura desse país tem a oferecer que seu despertar aconteceu. Tanto é que seu primeiro single, o já citado “verãozão”, é uma síntese, bem humorada, do clima carnavalesco que pairava na maior parte do Brasil no começo do ano. Mas, diante de tudo que vivemos agora, o artista nos apresenta uma outra faceta.

Nesse caso a inspiração surgiu no meio de uma grande crise de angústia. Oriundo de Niterói/RJ (uma cidade dormitório, mas que também é berço de artistas como Rebeca, sao Lucas, JOCA, Felipe Neiva, ROSABEGE, Vitor Milagres, João Barreira e tantos outros), o músico vive agora em São Paulo. Em sua nova morada, dadá Joãozinho sentiu a gravidade local, somada ao isolamento social e a crise política que assola este país. Junte tudo isso a um tweet, postado por um amigo de infância, com elogios à beleza que há na cor amarela e temos aí “AMARELO SELEÇãO”.

A apropriação das cores, por parte de um movimento que ressurgiu no Brasil e foi atribuído inicialmente o nome de “extrema direita”, começou por desvirtuar um símbolo mór da nação, a bandeira, e seguiu apropriando-se também da camiseta da seleção. Esses que se dizem os “os verdadeiros brasileiros” segregam as cores amarelo, verde, azul e branco para si. É como se, de repente, uma camiseta de futebol fosse transformada num símbolo do fascismo.

Essa galera do ‘amarelo seleção’ banca e brada o verde e amarelo, com uma auto estima cultural submissa à agenda norte-americana. Nem são patriotas de fato, o que, no seu grito, é o pilar do discurso. E ainda beijam a bandeira estadunidense” comenta dadá Joãozinho.

No clipe, que chega acompanhado do single e, assim como a música, foi produzido por dadá, o artista nos apresenta imagens em cortes rápidos, ele explora significados e símbolos. Dessa forma cria uma experiência que deixa nítida sua mensagem em “AMARELO SELEÇãO” e ainda permite-se deixar um campo aberto a interpretações próprias do interlocutor. Quem assina mix e master da faixa é Thiago Fernandes (ROSABEGE).

Todos os valores arrecadado com as vendas de “AMARELO SELEÇãO” via Bandcamp, bem como os lucros obtidos com plays nas demais plataformas de streaming, serão integralmente destinados a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e o projeto Mães da Favela.

Capa: João Rocha

dadá Joãozinho: Instagram / Spotify / Deezer / AppleMusic

Primata: Facebook / Instagram / Twitter / Bandcamp

Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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