Vinil cameo – Aquarius

Aquarius (2016) é um filme dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho, que também dirigiu os ótimos Bacurau (2019) e O Som ao Redor (2013). Seu enredo gira em torno de Clara (Sônia Braga), uma viúva de 65 anos que é a última moradora do edifício que dá título à obra, na orla da praia de Boa Viagem, no Recife. No decorrer do filme, acompanhamos o dia a dia da protagonista, sua relação com seus amigos e familiares, e a investida de uma construtora que pretende comprar o prédio a todo custo, visando erguer um mais moderno no local. Assim, o longa-metragem aborda temas como especulação imobiliária, passagem do tempo e memórias, e discute ideias pré-concebidas sobre a vida e sexualidade de uma mulher na terceira idade.

A trilha sonora é um capítulo a parte. Até hoje esperamos um lançamento em vinil para fazer justiça a personagem de Clara, que tem uma baita coleção de discos em sua sala.

O filme figurou no topo de várias listas de melhores do ano, como a lista de melhores do ano da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Folha de S. Paulo, El País e Cahiers du Cinéma. Também venceu uma lista enorme de premiações, como o Troféu APCA, o CINE SESC Melhores do Ano e o Festival de Havana.

Durante o tapete vermelho de sua primeira exibição, no Festival de Cannes, em 17 de maio de 2016, a equipe de Aquarius — entre eles o diretor Kleber Mendonça Filho e a protagonista Sônia Braga — mostrou cartazes em inglês e francês com os dizeres “Um golpe está acontecendo no Brasil”, “54 milhões de votos foram queimados” e “Dilma, vamos resistir com você” em protesto ao golpe sofrido pela presidenta Dilma Rousseff.

O protesto rendeu a famosa citação de um jornalista brasileiro ao qual não vamos citar o nome porque é dever do cidadão de bem boicotar essa gente:

“Assim que Aquarius estrear no Brasil, o dever das pessoas de bem é boicotá-lo”

Entortando um pouco as regras do vinil cameo, não teve como printar uma cena e decupar os discos presentes. Mas quem liga pras regras? Vamos a alguns dos discos da coleção de Clara que merecem destaque!

Daft Punk – Random Access Memories

Quarto disco de estúdio da recém finada dupla Daft Punk, o disquinho aparece bem rápido no inicio do filme. Quem nunca ficou com Get Lucky na cabeça por pelo menos um dia inteiro que atire a primeira pedra.

The Rocky Horror Picture Show

Outro disquinho que aparece ao lado do Daft Punk, The Rocky Horror Picture Show é um musical de comédia/terror de 1975. Provavelmente você já assistiu ou ouviu falar. Caso contrário assista assim que possível!

Barry Lyndon (Music From The Academy Award Winning Soundtrack)

Mais um disco dessa mesma cena, não poderia faltar Barry Lyndon, filme de 1975 dirigido por Stanley Kubrick. Durante o filme vemos várias e várias vezes o enorme pôster ao lado da mesa de jantar.


Ave Sangria – Ave Sangria

“41 anos, toca perfeito”, com essa frase Clara mostra o clássico disco de 1974 do Ave Sangria enquanto a música Dois Navegantes toca de fundo. Achou que deixaríamos passar essa, amante do cinema brasileiro? Achou errado, otário!

John Lennon & Yoko Ono – Double Fantasy

Clara, logo após falar que escuta música “no estilo antigo, mp3, em streaming, tendo música tá bom”, puxa o Double Fantasy da estante. Dentro dele um recorte de jornal dentro do disco, que já estava lá quando ela comprou em Porto Alegre anos atrás. Me lembrou essa conta no Instagram.

A sala de Clara é cheia de livros e referências, entre eles consegui pescar o David Bowie Is… e o Mate-me por favor.

Aquarius é um filme para assistir com atenção aos detalhes e nuances. Ele está disponível na Netflix mais próxima de você!

Vitor Silveira
Últimos posts por Vitor Silveira (exibir todos)

Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

Deixe um comentário