Índio da Cuíca apresenta “Malandro 5 Estrelas”, seu primeiro álbum solo

Exímio tocador do difícil instrumento, Índio pode ser taxado de “o mais perfeito tocador de cuíca do Brasil”, na minha opinião. Índio precisa dar uns giros pela Cidade para mostrar o seu trabalho.

Isso não sou eu quem tá falando, mas assino embaixo caso alguém pergunte. A frase foi pinçada numa coluna do jornal Luta Democrática, e foi escrita pelo grande jornalista do samba Waldinar Ranulpho no dia 01/05/1980, dia do trabalho. O mais perfeito tocador de cuíca do Brasil não só rodou a cidade, mas também o mundo, para depois de (quase exatos) 41 anos depois lançar seu primeiro disco solo.

Nascido no morro do Borel, logo ali na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Índio teve as primeiras experiências musicais por influência do pai, sr. Manoel, o Manoel Dionísio, membro fundador da Unidos da Tijuca. Integrou o conjunto Corda K Samba e Brasil Ritmo, banda na qual gravou reco-reco no LP “Balança Povo”, lançado pela Som Livre em 1972, disco disputado a tapa por entusiastas de samba & colecionadores.

Índio da Cuíca tem mais de 50 anos de carreira, multi-instrumentista – executa com maestria inúmeros instrumentos de percussão, além de tocar violão, cavaquinho e piano -, cantor, compositor e dançarino. Já esteve no palco ao lado de nomes como Alcione, Dicró, Ivon Curi, Jair Rodrigues e Roberto Carlos. Viajou com companhias artísticas lideradas por Joãozinho Trinta e Haroldo Costa. E no último dia 05 de maio lançou o seu primeiro álbum solo pelo selo carioca QTV, casa de outros grandes discos como “ROCINHA“, lançado em março desse ano por Mbé, uma das facetas de Luan Correia, assistente de gravação de “Malandro 5 Estrelas“.

A cuíca, comumente parte do arsenal percussivo das escolas de samba, aqui é destaque, como era de se esperar. Ainda nos anos 70, Índio se especializou em uma técnica que poucos cuiqueiros ousam praticar: a execução de melodias baseadas no sistema tonal. A música tonal é aquela que se baseia em notas musicais (sacou? não? olha ali o cara mandando o hino nacional).

Malandro 5 Estrelas” é um álbum que captura toda a aura da espontaneidade e experimentação das gravações de samba dos anos 1970 e 1980, com os músicos reunidos em estúdio tocando e gravando juntos, aproveitando a ambientação da sala (a fantástica Audio Rebel, também aqui no Rio de Janeiro). Participaram do disco Paulinho Bicolor (direção musical e arranjos), Alaan Monteiro (cavaquinho, bandolim), Gabriel de Aquino (direção musical, arranjos e violão), Luizinho do Jêje (percussões), Pedrinho Ferreira (percussões), Guto Wirtti (baixo acústico e baixo elétrico) e Luiz Otávio (teclados), além da mixagem e masterização de Renato Godoy.

Durante o pouco mais de meia hora de som, a sonoridade passeia pelo samba, pelo vassi pra Ogum (que é um toque do candomblé), pelo calango, bolero, capoeira e termina no funk carioca, num baita baile comandado pela cuíca de Índio. A cuíca chora, sambando miúdo lá vou eu, solta logo esse play!



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Vitor Silveira
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Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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