Quatro Perguntas Para Jorge Amorim

Créditos: Mariana Kreischer/Coletivo Mostarda

Dono de currículo extenso, o baterista, percussionista e compositor Jorge Amorim continua navegando pelas sonoridades do mundo. Durante seu período em Nova Iorque, se apresentou em templos do jazz como o Teatro Apollo e a Blue Note, locais que evocam figuras lendárias como as de Dizzy Gillespie e Oscar Peterson, que já pisaram em tais palcos. Na Europa, fez participações no Festival de Jazz de Montreux, de Leverkusen e de Pori, só para citar alguns.  

Já no Brasil há 13 anos, o músico lançou, no final de 2021, seu segundo álbum solo, Go Back to Rio, que sucede Orixás, lançado em 2004 ao lado de Hank Schroy. Aqui vão quatro perguntas para ele:

Você morou na Europa durante nove anos, e, em Paris, se apresentou ao lado de mestres como Baden Powell, Archie Shepp, Horace Parlan e Sivuca. Destes anos na Europa, quais foram os momentos mais memoráveis?

R: Os momentos memoráveis foram exatamente os que você acabou de citar na sua pergunta. A oportunidade de poder tocar com esses grandes mestres e em alguns festivais como o Montreux Jazz Festival, dentre outros.

D: Como baterista e percussionista, quais são suas maiores referências?

R: Em primeiro lugar a minha referência sempre foi e será o tambor! (risos). Mas, são muitos e até mesmo alguns com quem eu tive a oportunidade de tocar, estudar e aprender. Os caras do jazz, por exemplo. Elvin Jones (que eu tive a oportunidade de conhecer), Art Blakey, Robertinho Silva… São muitos… Pedro Sorongo, Naná Vasconcelos, Changuito…

D: Em seu último álbum, Go Back To Rio (2021) é possível ouvir influências desde Miles Davis e Sun Ra Arkestra até Milton Banana e Fela Kuti. O álbum tem essa mistura muito rica. Você trouxe tudo na bagagem pro Rio quando voltou em 2009?

R: Pergunta muito interessante… Eu acho que quando você está envolvido com a música, espiritualmente falando, você procura uma conexão cósmica. Digo isso porque, pra mim, a música está além do que eu não possa imaginar. Então você cria uma bagagem de influências, que fazem parte da sua história. Você põe pra fora esse bloco de informações e fica livre pra compor

O álbum (Go Back To Rio) conta com participações do trompetista estadunidense Graham Haynes, do cantor argelino Djamel Laroussi, do multi-artista panamenho Micah Gaugh, além de Índio da Cuíca. Como foi essa ‘comunhão’ musical?

R: Essa conexão minha com o Graham começou na época que eu morava em Colônia, na Alemanha. Uma ex-aluna minha me levou a um show de uma pianista chamada Geri Allen e ele fazia parte da banda. Daí nós começamos a tocar, assim! Foi a minha entrada em Paris, pois ele nessa época morava lá, e também estava assinando com a Polygram, no selo Verve. Através dele conheci o Djamel Laroussi, que participou conosco do disco Griot Foot Steps (1994) do Graham. O Micah veio no ano seguinte, na formação do Transition (1995) disco seguinte do Graham pela Verve. Depois fui pra Nova Iorque e fizemos alguns projetos. Quando ele veio ao Brasil para gravar o seu disco “Pêssego do Verão” (2016) e fazer alguns shows no Rio, São Paulo e Salvador, aproveitei e o convidei para participar do meu disco. Já o Djamel gravou em casa, na Alemanha. E, não poderia esquecer do índio da Cuíca! Eu o conheci na Europa e trabalhei com ele desde então.

Eduardo Raddi

Eduardo Raddi

Eduardo Raddi tem 24 anos, é acadêmico de Jornalismo, baterista d'O Grito, amante das artes, e um de seus maiores prazeres na vida é ouvir e pesquisar sobre música. De John Coltrane à Slayer, de Radiohead à Tom Zé, é a diversidade de sons que o fascina.