Téo Costela comenta três álbuns que influenciaram Triste com Ruídos, seu primeiro EP

zine enviado para a galera que fez o pré-save! <3

Téo Costela é um artista brasileiro de Fortaleza/CE que faz músicas bobas e desenhos esquisitos, essa é a frase que abre o zine que acompanha o seu primeiro EP “Triste com Ruídos”. Eu acrescento aqui que claro que no melhor sentido que bobas e esquisitos possa soar, o mundo precisa de coisas bobas e esquisitas, quanto mais delas melhor.

Você já pode ter visto a arte do Téo circulando por aí, ele desenha e vende camisetas na Printerama e toca também uma pequena livraria e loja de arte independente, o Clube Molotov.

“Triste com Ruídos” foi gravado em casa, acaba de ser lançado na última quinta (03/06). O EP, que foi gravado em casa no melhor estilo home office, chega pela Quase Famosos Records e conta com cinco músicas na melhor levada lo-fi punk misturado com o indie triste que o jovem brasileiro sabe fazer muito bem.


Convidamos Téo Costela para comentar alguns dos discos que ele escutou durante o processo de gravação do EP, bora conferir?


Is This It, The Strokes

Tem uma cena no filme The Boat That Rocked que um dos personagens se coloca em perigo para salvar um (ou alguns, não lembro agora) dos seus discos favoritos. Lembro que quando vi a cena me perguntei qual disco eu salvaria, o primeiro que veio na minha cabeça foi Is This It, dos Strokes. Já tem quase uns 10 anos que vi o filme e a resposta continua a mesma.

Eu sei, eu sei… no mundo com gravações de Beatles e Tim Maia eu escolho salvar um disco dos Strokes? É isso! Tem coisas que te pegam no momento certo. Talvez elas nem sejam tudo isso, mas estavam lá na hora e no lugar que deveriam estar e isso faz toda diferença.

Eu me identifiquei de cara com todas aquelas músicas que pareciam ter sido gravadas numa garagem, meio de forma amadora, com as letras bobas sobre relacionamentos, com todos aqueles ruídos, com o vocal arrastado, às vezes gritado, com a bateria simples e guitarras sujinhas sem solos incríveis e demorados. Meus Deus! Eu também queria fazer aquilo, eu queria ser um Stroke. Tá, eu só tinha 18 anos. Não virei um rockstar, virei designer gráfico e segui a vida. Só agora, aos 35, resolvi gravar minhas coisas. Olhei um pouco para o que o Téo de 18 anos gostaria de ter feito, com o que o Téo de 35 pode fazer. Foi assim que surgiram as músicas de Triste com Ruídos e o culpado disso tudo é Is This It.


Road to Ruin, Ramones

Eu só era um pré-adolescente nos 90 quando ouvi Ramones pela primeira vez, não lembro se no rádio ou na trilha sonora de algum filme da Sessão da Tarde, mas foi nesse período. Pouco tempo depois eu estava com um revistinha de cifras, onde aprendi a tocar Imagine do John Lennon, e lá estava I Wanna Be Sedated, que na época eu nunca aprendi a tocar. Eu nem conhecia a música direito. Depois disso eu fiquei um grande tempo sem ouvir Ramones ou me importar sobre. Sei lá, ouvia quando tocava em algum lugar, mas não por eu escolher.

Foi no começo dos anos 2000, quando internet banda larga era luxo, que baixei o Road to Ruin no PC do trabalho. Foi o primeiro disco dos Ramones que ouvi de ponta a ponta e foi o disco que levou a toda a discografia daquela que se tornaria uma das minhas bandas favoritas.

Quando escrevi Ramona Flores, meio que na brincadeira com o violão, pensei que ficaria legal fazer um punk, porque uma música que tem RAMONA no nome deveria ter um vibe Ramones (sim, eu sou esse tipo de pessoa). Eu acho que deu muito certo. É uma música com três acordes, letra simples, curta e repetições.

Ah, Road to Ruin foi o primeiro disco que eu comprei e fico feliz demais que o acaso fez isso. São aqueles orgulhos bobos que ninguém se importa, mas pra mim faz muito sentido.


Hi, How Are You, Daniel Johnston

Esse eu não tenho o disco físico. Poderia colocar aqui qualquer um dos álbuns do Daniel Johnston, porque, para além da música, esse cara representou melhor do que ninguém o que é ser artista independente. Daniel era punk demais! Gravava suas coisas em casa, fazia suas próprias fitas cassetes, desenhava as capinhas, distribuía tudo de mão em mão e o resto da história a gente sabe.

Todas as vezes que eu escutava minhas gravações e ficava na dúvida se tinham ruído demais ou não, se não estavam parecendo muito amadoras e caseiras ou bobagens desse tipo, eu juro pra vocês que eu me perguntava… O que Daniel Johnston faria? E aí eu ia ouvir seus primeiros discos e tudo que a gente vê ali é alguém que só estava se divertindo gravando suas músicas. Daniel fazia coisas simples serem incríveis. Sabe aquelas coisas que você se pergunta “por que não pensei nisso antes”? Acho que é isso que faz alguém genial.

You Look So Weird in Real Life é a música que abre o meu EP e definitivamente não existiria sem Hi, How Are You. Amo você, Daniel! Obrigado por tudo!


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E ouça Triste com Ruídos na sua plataforma de streaming favorita aqui!

Vitor Silveira

Vitor Silveira

Vitor Silveira, é graduado em Biblioteconomia pela UFRJ, e também tem formação técnica em Produção Audiovisual pela FAETEC. Atualmente divide a vida entre pesquisas em Humanidades Digitais e o portal Disconversa, onde contribui como editor, colunista e webmaster, assim como produtor e editor de áudio no Disconversando. Entre opiniões polêmicas e informações obscuras, enxerga em um disco do Cartola a mesma beleza que no Metal Machine Music do Lou Reed.

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